A atriz Margot Robie, que interpreta o papel de Tonya Harding (Crédito: Divulgação)
O universo do cinema e dos Jogos Olímpicos convivem tão bem que em geral resultam em obras excelentes. Nesse sentido, com o início das disputas da patinação artística feminina nos Jogos de Milão/Cortina nesta terça-feira (17), nada melhor do que atualizar um texto publicado na época do lançamento de “Eu, Tonya”. O filme mergulha no maior escândalo do esporte olímpico de inverno dos Estados Unidos.
Vale a pena ler de novo!
* Texto publicado originalmente em 12/02/2018 e atualizado em 17/02/2026
Se você tem menos de 30 anos, certamente só conheceu pela internet um dos maiores escândalos do esporte, envolvendo as patinadoras americanas Tonya Harding e Nancy Kerrigan. Em janeiro de 1994, às vésperas das Olimpíadas de Inverno de Lillehammer, na Noruega, Kerrigan foi atacada após uma sessão de treinamento. Pouco depois, descobriu-se que o marido do Tonya Harding e seu guarda-costas foram os responsáveis pelo crime.
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Como resultado, o destino foi severo com Harding. Enquanto Nancy Kerrigan levou a medalha de prata, Tonya terminou em 8º lugar e foi banida do esporte. Dessa forma, acabou sendo consolidada sua imagem como a da grande vilã do esporte. Não sem uma boa dose de razão.
Imagem humanizada
Atualmente, com o filme “Eu, Tonya”, o público pode conhecer um outro lado desta história. A obra, dirigida por Craig Gillespie, conta com atuações soberbas de Margot Robbie, no papel de Tonya, e Allison Janney, como a nada carinhosa mãe da patinadora.
Mesmo 32 anos depois, é possível ficar dividido sobre o grau de responsabilidade de Tonya Harding em todo o caso. Talvez esse seja o principal objetivo do filme: tentar “humanizar” a patinadora diante da opinião pública. Ou seja, atenuar sua imagem de vilã da América.
Vida infernal de Tonya Harding
É difícil não comprar uma parte deste argumento após os 120 minutos do filme. Rodado como se fosse um falso documentário, “Eu, Tonya” mostra que a vida da patinadora foi um inferno. Dona de um talento excepcional – foi a primeira americana da história a fazer o “triple axel” (três giros e meio no ar) -, Harding foi um produto de seu meio.
Abandonada pelo pai quando criança, criada à base de falta de afeto, maus tratos e extrema rigidez por parte da mãe, sofreu com as agressões de seu marido. E ela as devolvia na mesma moeda. Em razão de seus modos um tanto abrutalhados, a Tonya Harding do filme é uma pessoa que não é bem-vista totalmente pela comunidade da patinação, até por conta de sua família desestruturada. Essa busca desesperada por ser aceita é o que move a personagem.
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É provável que Tonya Harding realmente não soubesse do atentado armado pelo marido e seu guarda-costas. No entanto, o filme não tenta inocentá-la, pois a patinadora foi julgada e condenada por obstrução da Justiça, coisa que ela mesma reconheceu. Em suma, o grande mérito de “Eu, Tonya”, além das atuações espetaculares de Margot Robbie e Alisson Janney, talvez seja mostrar que a grande vilã do esporte olímpico americano também é uma vítima. Uma triste história que vale a pena ser revisitada.
Obs: o filme “Eu, Tonya” pode ser visto na plataforma de streaming Amazon Prime


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