Estádio Olímpico de Montreal Jogos Montreal-1976 Abertura

O estádio olímpico de Montreal lotado, no dia da aberura dos Jogos de 1976: os prejuízos atormentaram o Canadá por décadas (Reprodução/Comitê Olímpico Canadense)

Oito anos depois da icônica edição da Cidade do México, em 1968, a Olimpíada estava de volta à América do Norte, desta vez no Canadá. Há exatamente meio século, Montreal acompanhava a abertura dos XXI Jogos Olímpicos da Era Moderna. Com discurso feito pela Rainha Elizabeth – apesar de ser um país independente, o Canadá é membro da comunidade britânica –, os Jogos organizados pelos canadenses deveriam marcar uma espécie de renascimento do evento. O movimento olímpico ainda tinha na memória as lembranças da tragédia do assassinato dos atletas de Israel por terroristas do grupo palestino “Setembro Negro”, em Munique-1972. Só que o plano canadense não foi bem-sucedido.

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Uma infeliz combinação de fatores transformou aquela Olimpíada numa lembrança pouco agradável à população do Canadá, especialmente porque o país quase foi à falência com os custos daquele evento. Os Jogos de Montreal deixaram uma dívida colossal de US$ 1,5 bilhão, que só quitada definitivamente em novembro de 2006, quando a prefeitura da cidade quitou a última parcela.

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Diversas greves que resultaram em atrasos nas obras, má gestão nos contratos com fornecedores, acusações de corrupção: ao final do evento, a triste constatação de que as Olimpíadas acabaram custando 13 vezes mais do que estimativa inicial em 1970, quando Montreal foi eleita para receber o evento. Tudo isso a despeito do discurso supostamente austero do prefeito Jean Drapeau:

“Os Jogos Olímpicos não podem ter déficit, assim como um homem não pode ter um bebê“

Ironicamente, uma das causas para o desastre financeiro dos Jogos de Montreal foi sua beleza arquitetônica. O teto retrátil e a torre inclinada de 165 metros do Estádio Olímpico exigiram uma engenharia avançada demais para a época, o que ajudou a encarecer ainda mais aquela edição. Para ajudar a quitar a dívida astronômica, o governo da província de Quebéc, onde se localiza Montreal, criou um imposto especial sobre o cigarro. Não à toa o estádio passou a ser chamado de “The Big Owe” (A Grande Dívida”), ao invés de “The Big O”, pelo seu formato.

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Portanto, o trauma pelo prejuízo causado nos Jogos de 1976 foi tão grande que assustou possíveis cidades candidatas a receberem edições olímpicos. Para a Olimpíada de 1984, a única candidata foi Los Angeles.

Boicote recorde

Os Jogos de Montreal também foram protagonistas do primeiro grande boicote em massa de países em Olimpíadas, causado por motivação política. Assim, lideradas pela Tanzânia, Guiné e Iraque, 26 nações africanas abandonaram ou recusaram-se a participar do evento em protesto contra a Nova Zelândia. O motivo foi a presença de uma equipe de rúgbi neozelandesa que realizou uma turnê na África do Sul. O país, na época, estava banido do esporte, em razão de sua nefasta política do Apartheid.

Os países africanos exigiram que o COI impedisse, como forma de punição, a participação da Nova Zelândia no evento. Os dirigentes do comitê olímpico internacional se negaram, justificando que o rúgbi não era um esporte olímpico e por isso, a punição não tinha sentido. Contudo, como resposta, 22 países do continente africano abandonaram os Jogos antes mesma da cerimônia de abertura. Quatro países (Camarões, Egito, Marrocos e Tunísia) chegaram a participar do primeiro dia de competições, mas se retiraram na sequência.

Nasce uma estrela

Esportivamente, o fato mais relevante que Montreal-1976 deixou foi apresentar ao mundo uma pequena romena de somente 14 anos chamada Nadia Comaneci. A menina tímida que estava sempre com um bicho de pelúcia nas mãos mudou para sempre o paradigma da ginástica artística.

Ela tornou-se a primeira atleta a alcançar a nota máxima de 10 na história da ginástica olímpica, um feito que os placares da época não estavam programados para exibir (foram registrados como 1.0). Ela terminou a competição com três medalhas de ouro (individual geral, barras assimétricas e trave), uma de prata (equipe) e uma de (solo).

Para quem gosta de banalizar o adjetivo, isso sim é um evento histórico.

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