O Centro Nacional de Atletismo Gyula Zsivotzky, em Budapeste, passará por adaptações especiais na pista e em outras áreas para receber o Mundial Ultimate (Divulgação/World Athletics)
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O mês de setembro costuma marcar a reta final da temporada do atletismo internacional. Em 2026, em pleno ciclo para os Jogos de Los Angeles-2028, a modalidade fechará o ano com uma novidade cercada de grande expectativa. A primeira edição do Mundial Ultimate, uma nova competição criada pela World Athletics (Federação Internacional de Atletismo), chega para mudar os parâmetros dos eventos da modalidade. E, quem sabe, reformulando a maneira que este esporte é consumido por fãs em todo o mundo.
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Entre ousadia e uma certa presunção, o fato é que para o presidente da World Athletics, o inglês Sebastian Coe, o Ultimate irá revolucionar o esporte. “Queremos levar o atletismo aos nossos fãs de uma forma que eles nunca viram antes, com os melhores atletas do nosso esporte competindo frente a frente em um evento eletrizante, cheio de paixão e inovação”.
Formato reduzido
O evento já partirá de uma premissa atrativa, que é a de reunir uma constelação de estrelas do atletismo internacional. Nestes três dias de competição, estarão em ação os campeões olímpicos em Paris-2024, além dos campeões mundiais de Tóquio-2025 e os vencedores da temporada 2026 da Diamond League. Também estarão presentes os líderes do ranking mundial nas respectivas provas. Sem limites de atletas por país, cada prova terá entre oito e 16 participantes, totalizando 28 eventos.
Por ser uma competição mais “enxuta”, realizada à noite e em apenas três horas cada sessão, nem todas as provas normalmente realizadas em eventos do atletismo farão parte do Mundial Ultimate. Portanto, corridas de longa distância (3.000 m com obstáculos, 10.000 m), salto triplo masculino, lançamento de martelo feminino, maratona e marcha atlética, por exemplo, não estarão no programa.
Além disso, várias provas terão apenas finais, como as de campo (saltos e lançamentos), com apenas quatro tentativas para cada atleta. Nas provas de pista (1.500 m, 5.000 m e revezamentos), também. Nas demais distâncias, serão duas semifinais, definindo os finalistas.
A força da TV e da grana
Previsto para acontecer no Centro Nacional de Atletismo Gyula Zsivotzky, construído para o Mundial de Budapeste-2023, o Ultimate conta ainda com dois fatores para assegurar o sucesso da competição. O principal, sem dúvida, é a motivação financeira.
Um total de US$ 10 milhões serão distribuídos como premiação aos participantes, a maior já oferecida em uma competição de atletismo. O campeão de cada prova levará para casa uma bolada de US$ 150 mil, quase R$ 800 mil. Isso representa mais que o dobro do valor de uma medalha de ouro no Mundial de atletismo de 2025 (US$ 70 mil). Além disso, cinco vezes o prêmio pago na final da Diamond League (US$ 30 mil).
O formato do evento, voltado para a TV, também é uma das apostas da World Athletics para o seu sucesso. “O Ultimate é descaradamente voltado para a televisão, com uma abordagem para deixar mais espaço aos atletas e suas histórias”, explica Sebastian Coe.
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Entre as novidades na transmissão, está a apresentação na tela com realidade aumentada, fotos dos atletas e novos dados, como projeções de posição de chegada. Um algoritmo calculará as probabilidades e as atualizará em tempo real. O cronômetro da corrida será movido para a parte inferior central da tela para funcionar melhor em plataformas verticais. Mais de 20 emissoras deverão transmitir o torneio ao vivo.
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Entre as estrelas já confirmadas de fato na primeira edição do Ultimate estão Armand Duplantis (salto com vara), Noah Lyles (100 e 200 m), Rai Benjamon (400 m com barreiras), Gabby Thomas (200 m), Femke Bol (400 m com barreiras), Katie Moon (salto com vara), entre outros. “É fundamental que os fãs tenham a oportunidade de ver os melhores em ação”, diz Sebastian Coe.
O fator Coe

É impossível falar do Mundial Ultimate sem lembrar do papel que o próprio Sebastian Coe vem tendo no movimento olímpico nos últimos tempos. Não é de hoje que o dirigente – bicampeão olímpico dos 1.500 m em Moscou-1980 e Los Angeles-1984 – busca uma espécie de protagonismo nos novos tempos do movimento olímpico.
Inclusive para quem não se lembra, foi por iniciativa do dirigente inglês que a World Athletics pagou uma premiação financeira aos atletas campeões olímpicos no atletismo nos Jogos Paris-2024. Foi a primeira vez que uma federação internacional premiou atletas por suas performances nas Olimpíadas. Cada medalhista de ouro ganhou US$ 50 mil, totalizando US$ 2,4 milhões aos vencedores.
Coe, que lançou (sem sucesso) seu nome à presidência do COI (Comitê Olímpico Internacional) no ano passado, acabou influenciando indiretamente uma decisão histórica da entidade. Em junho, a entidade rompeu com uma tradição secular e anunciou a partir de agora o pagamento de uma bolsa de US$ 10 mil a todos os atletas que participarem de edições olímpicas (verão e inverno). Nesse sentido, o dirigente também é uma das vozes mais eloquentes contra o retorno da Rússia ao movimento olímpico, mantendo o banimento do país em razão da invasão à Rússia, a despeito da liberação do próprio COI.
Sebastian Coe obviamente não diz que seus planos focam em tornar-se uma nova liderança global no esporte olímpico. Mas é inevitável que um possível sucesso do Mundial Ultimate poderá ter um peso considerável a seu favor.


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