Bandeiras COI e Rússia

Bandeiras do COI e da Rússia juntas: esta cena está bem perto de voltar a acontecer novamente (Reprodução)

Já era uma espécie de bola cantada a decisão que o Conselho Executivo do COI (Comitê Olímpico Internacional) anunciou nesta terça-feira (7). Ao retirar a suspensão que estava imposta ao Comitê Olímpico Russo (ROC) desde outubro de 2023, a entidade deu o primeiro passo prático para restabelecer a presença formal da Rússia de forma completa nas Olimpíadas de Los Angeles-2028, e não apenas com um pequeno grupo de atletas independentes e autorizados pela entidade.

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O problema começa quando se analisa com um pouco mais de calma o texto do comunicado oficial, onde percebe-se que foi um perdão com um certo tom envergonhado do COI. Sim, porque trata-se de uma revogação provisória.

O COI retirou a suspensão ao constatar que não há mais organizações esportivas integrantes do comitê russo em territórios sob jurisdição do comitê olímpico ucraniano. Esta havia sido a principal causa da suspensão aplicada em outubro de 2023. Mas o comitê russo segue sob análise do comitê jurídico do COI, antes de uma absolvição definitiva.

Desde então, atletas russos participaram somente na condição de atletas neutros dos Olimpíadas de Paris-2024 e dos Jogos de Inverno Milão/Cortina-2026.

Caminho aberto para LA-2028

A decisão deste terça também deixa em aberto a possibilidade do retorno das equipes de esportes coletivos, principalmente pelo início do período de qualificação de várias modalidade rumo a Los Angeles-2028. Também reforça que todos os atletas precisarão cumprir os requisitos antidoping necessários.

Não é preciso ir longe para recordar o nebuloso passado russo. O esquema de doping financiado pelo Estado, comprovado durante os Jogos de Inverno de Sochi-2014 e no Mundial de Atletismo de Moscou-2013, custou suspensões sistemáticas ao país.

Contudo, o comunicado do COI não dá nenhuma data para o retorno de símbolos nacionais russos (bandeira, hino e cores) em Jogos Olímpicos, assim como afirma que não pretende organizar competições na Rússia ou convidar autoridades do país para seus eventos.

Solução polêmica

“Queríamos garantir que todos os atletas tivessem a possibilidade de competir nos Jogos Olímpicos e não fossem responsabilizados pelos atos de seus governos. Acredito que é isso o que esta decisão representa. Ela permite que os atletas russos participem de competições esportivas, mas também deixamos bem claro que não toleramos qualquer tipo de violência ou guerra no mundo”, disse Kirsty Coventry, em entrevista coletiva nesta terça-feira.

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Desde que assumiu a presidência do COI, há um ano, ela tinha na questão da Rússia uma incômoda pedra no sapato. As negociações para um retorno gradual russo caminhavam lentamente desde o final do ano passado, quando a entidade aprovou que Rússia e Belarus possam competir com seus símbolos nacionais nas Olimpíadas da Juventude em Dacar (Senegal), no próximo mês de outubro.

Houve momentos tensos nesta caminhada política. Quem não se recorda do triste episódio da eliminação do atleta ucraniano Vladyslav Heraskevych nas Olimpíadas de Inverno Milão/Cortina. O motivo: a insistência em usar um capacete que mostrava fotos de atletas da Ucrânia mortos durante a guerra com os russos.

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Sob a justificativa da Regra 50, que proíbe manifestações políticas, religiosas ou raciais em áreas de competições ou pódios, a própria Kirsty Coventry foi ao local de competição do skeleton, prova de Heraskevych e tentar convencê-lo a não usar o capacete na prova. Como ele não aceitou, foi desclassificado.

Depois, em maio, o clima deu uma aliviada, com a retirada das restrições para atletas e equipes de Belarus. O país foi punido pelo apoio dado aos russos durante a Guerra na Ucrânia.

No final de maio, a Federação Internacional de Ginástica (World Gymnastics) se antecipou ao COI e devolveu à Rússia e Belarus a autorização para competirem com suas equipes ostentando normalmente bandeiras e símbolos nacionais.

“Ruptura ao Olimpismo”

Porém, o anúncio desta terça-feira, além de no mínimo polêmico, está longe de ser um consenso. A Global Athlete, entidade que atua em defesa de um ambiente seguro e inclusivo para os atletas, soltou um duro comunicado contra a liberação aos russos.

“Esta decisão representa uma ruptura fundamental com os princípios do Olimpismo. Ao acolher a Rússia de volta ao âmbito olímpico apesar de seu histórico de doping patrocinado pelo Estado e de sua guerra em curso contra a Ucrânia, o COI optou por reescrever, por baixar, seus próprios padrões de responsabilização das partes interessadas”, escreveu a entidade.

O ministro de esportes da Ucrânia, Matvii Bidnyi, também questionou a decisão tomada um dia depois de uma onda de ataques de mísseis e drones da Rússia a seu país, que trouxe como resultado um total de 22 mortos. “Não entendemos porque o COI alterou suas regras neste dia em que a Ucrânia está de luto, em que nossas bandeiras estão a meio mastro por tantas pessoas que foram mortas”.

Por mais que tente se equilibrar na justificativa da neutralidade esportiva, está cada vez mais complicado para o COI resolver o enorme problema que se tornou a questão da Rússia no Movimento Olímpico.

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