Donald Trump Gianno Infantino Copa do Mundo 2026

Trump, Infantino e a Copa do Mundo marcada pela subserviência vergonhosa da Fifa (Reprodução)

A maior Copa do Mundo de todos os tempos (até pelo inédito número de 48 seleções participantes) chega a sua semana final e acaba sendo inevitável fazer uma espécie de retrospectiva de momentos marcantes. O mesmo Mundial que consagrou Messi como o maior artilheiro das Copas e apresentou histórias emocionantes como as do goleiro Vozinha, de Cabo Verde, também nos trouxe momentos vexatórios.

+ Leia e assine a newsletter “Zona Mista”, no Substack

A deportação ainda no aeroporto de Nova York do árbitro da Somália, o melhor da África, sob uma alegação não comprovada de ligação com grupos terroristas. Ou a situação vexatória da seleção do Irã, obrigada a fazer um infame bate-e-volta para sua base no México, após os jogos disputados no Mundial. Qual o motivo? Nunca se explicou realmente. Na Copa do Mundo organizada basicamente pelos americanos, nunca é preciso explicar nada. E Gianni Infantino, presidente da Fifa, cobrado por tantos absurdos no seu principal torneio, apenas dava respostas evasivas aos jornalistas.

Interferência da Casa Branca

Nada do que houve, contudo, superou o absurdo do último dia 5. A seleção brasileira havia acabado de ser eliminada da Copa pela Noruega, quando as agências publicaram o que parecia uma notícia de Primeiro de Abril. Donald Trump ligou pessoalmente para Infantino e pediu que fosse anulado o cartão vermelho do atacante americano Folarin Balogun, expulso dias antes na partida pela segunda fase, contra a Bosnia e Herzegovina.

+ Acompanhe o blog Laguna Olímpico no TwitterFacebookInstagram e WhatsApp

Foi simplesmente uma interferência direta no regulamento da competição a pedido de uma autoridade política. Nem Mussolini, quando a Itália fascista organizou a Copa de 1934, chegou a tal ponto. A Casa Branca reuniu uma verdadeira força-tarefa desde 2 de julho, dia seguinte à expulsão de Balogun, principal artilheiro dos Estados Unidos no Mundial, tentando uma saída legal para o recurso. Trump fez três ligações para Infantino, pedindo para que o cartão vermelho fosse retirado. E teve êxito.

A sorte do cartola da Fifa, e da Casa Branca por tabela, é que o futebol deu um jeito de arrumar essa barbaridade. Com uma goleada de 4 a 1, mesmo com Balobun em campo, a Bélgica eliminou os americanos. Assim, evitou que a própria Copa do Mundo fosse parar no tapetão. Revoltados com o que consideraram uma injustiça sem precedentes, entraram com recurso na Fifa. Após ser negado, ameaçaram levar o caso ao TAS (Tribunal Arbitral do Esporte), o que poderia deixar o resultado da Copa 2026 em um limbo jurídico.

Alerta olímpico ligado

Kirsty Coventry
Presidente do COI
Por enquanto, Kirsty Coventry prefere usar da diplomacia e não bater de frente com Danld Trump (Divulgação/COI)

A inédita interferência do governo americano em pleno andamento da competição não foi só motivo de espanto e revolta no mundo do futebol. Em Lausanne, onde fica a sede do Comitê Olímpico Internacional, o caso não passou despercebido pelos dirigentes da entidade. O motivo da preocupação é óbvio: nesta terça-feira (14), faltam exatamente dois anos para a abertura das Olimpíadas de Los Angeles-2028. Embora use da diplomacia, o COI teme que Trump e outros radicais da Casa Branca voltem a esticar a corda em um evento com dimensões político-esportivas ainda maiores.

Durante uma entrevista coletiva online, após a reunião do Conselho Executivo que entre outras coisas aprovou o retorno da Rússia ao movimento olímpico, Kirsty Coventry, presidente do COI, foi perguntada sobre qual seria a postura da entidade se algo parecida ocorresse durante a Olimpíada. A dirigente optou pela diplomacia, mas deu a entender que a postura seria bem diferente no caso envolvendo a anulação do tal cartão vermelho.

Veja também:

Em resumo, o COI delimitou os limites que pretende suportar. Por enquanto, não quis comprar uma briga direta com Trump. Até porque desde que assumiu o cargo, há um ano, Coventry ainda não se encontrou com o presidente americano. Mas isso não deverá demorar a ocorrer, até por se tratar de algo protocolar entre quem comanda o COI e a principal autoridade política do país-anfitrião.

Nesse futuro encontro, é provável que um tema bem mais delicado esteja na mesa de discussões: a questão de liberação de vistos. Cena corriqueira nesta Copa, envolvendo delegações esportivas, árbitros, jornalistas e torcedores, o veto para a entrada de pessoas de países considerados “inimigos” aos Estados Unidos certamente será potencializado em um evento do tamanho de uma Olimpíada. Este é o tamanho do desafio que Kirsty Coventry terá pela frente nos próximos dois anos.

Deixe uma resposta

VOCÊ SABIA?

No histórico de confrontos entre Inglaterra e Argentina antes da semifinal da Copa 2026 desta quarta-feira (15), os ingleses têm ampla vantagem: em 14 jogos, são seis vitórias da Inglaterra, seis empates e somente duas vitórias da Argentina

Descubra mais sobre Laguna Olímpico

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo