O “show do intervalo” padrão Super Bowl em plena final: mais uma bizarrice da Copa do Mundo nos EUA (Reprodução)
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Quem teve a chance de assistir ao sensacional “Todos os Corações do Mundo”, filme oficial da Copa de 1994, deve se recordar da sequência inicial. Nela, pessoas das mais variadas idades e locais dos Estados Unidos são questionadas pelo repórter sobre o que elas sabem a respeito da Copa do Mundo. A maioria das respostas é idêntica: “É sobre futebol? Não sei nada sobre Copa do Mundo”.
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É inútil querer rebater os números para avaliar o que foi a Copa do Mundo de 2026, encerrada no último domingo (19), quando a Espanha comemorou seu segundo título, após derrotar a Argentina por 1 a 0. O maior Mundial da história extrapolou todos os recordes: 48 seleções, 104 partidas, segunda melhor média de gols desde o México-1970. Além disso, a arrecadação para a Fifa para o ciclo 2023-2026 deve chegar a US$ 15 bilhões, por conta de recursos impulsionados pela venda de ingressos e camarotes VIPs, superando as metas da entidade.
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Mais de 6,8 milhões de torcedores compareceram às partidas, fazendo com que o torneio chegasse a uma média de 65.490 espectadores por jogo. Foi a segunda maior da história das Copas. Só ficou atrás, vejam vocês, do Mundial de 1994, o primeiro realizado nos Estados Unidos.
Incrível que os 32 anos que separam as duas edições dos Mundiais em terras americanas – Vale lembrar que 78 jogos neste ano ocorreram nos Estados Unidos – não serviram para que os donos da casa entendessem exatamente o que estavam organizando pela segunda vez.
“Agressão” ao futebol
A Copa de 2026 foi uma versão com mais tecnologia e glamour. Porém, desorganizada em muitos aspectos e transformada à força em mais um evento ao estilo e agrado do público americano, atacando em vários momentos o espírito do próprio futebol.
Um exemplo claro desta “agressão” ao esporte foi a decisão, com anuência da Fifa, em transformá-lo num jogo de quatro quartos. Isso aconteceu com a institucionalização da pausa para hidratação. O que foi pensado para proteger a saúde dos atletas do forte calor no verão na América do Norte transformou-se em uma oportunidade perfeita dada aos donos de direitos de transmissão para ganharem mais dinheiro com a inserção de comerciais de até 30 segundos.
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Estima-se que a Fox, que transmitiu a Copa em território americano, pode alcançar até US$ 250 milhões com a receita extra. Para quem acha isso uma reclamação exagerada, como justificar que a tal pausa tenha ocorrido mesmo em partidas disputadas debaixo de chuva? Ou em estádios climatizados, onde os jogadores não sofriam tanto os efeitos do calor?
Super Bowl ou Copa do Mundo?

Mas foi a final do último domingo, realizada no MetLife Stadium, em Nova Jersey, que os americanos mostraram não terem a menor em ideia do que é uma Copa do Mundo. Filas quilométricas para público (inclusive jornalistas) entrar no estádio e passar por insuficientes detectores de metal.
Esquema de segurança reforçado, afinal, ninguém menos do que Donald Trump estaria presente, escalado para entregar o troféu ao campeão mundial (mais abaixo, vamos comentar sobre isso…). Será que os americanos não sabiam que um evento deste tamanho precisaria de um reforço para facilitar a entrada do público?
A breguice de colocar dois famosos locutores de boxe e UFC, os irmãos Bruce e Michael Buffer, para anunciar os finalistas já deu um sinal do que viria pela frente. E o que dizer do primeiro show de intervalo da história das Copas? Ao melhor estilo Super Bowl, evento que decide a temporada da NFL, o futebol americano, uma reunião de artistas badalados entrou em campo. Entre eles, Madonna, BTS, Justin Bieber e a estrela da tarde, a cantora colombiana Shakira.
Nada contra os artistas, é claro. Mas como achar normal que o intervalo regulamentar de 15 minutos da decisão de uma Copa do Mundo tenha durado quase meia hora? Bizarro, para dizer o mínimo.
Quebra de protocolo no pódio
A cereja do bolo da falta de noção dos americanos veio na hora da entrega da taça. Como já havia feito no Mundial de Clubes no ano passado, Donald Trump entregou o troféu ao capitão espanhol Rodri e deu um jeito de se posicionar entre os jogadores e, como quem não quer nada, sair na histórica foto da festa.
Precisou que o próprio Rodri esperasse para Trump ter um mínimo de bom senso e ir embora. Isso só aconteceu graças a um desesperado Gianni Infantino, presidente da Fifa, que correu para conduzir Trump ao lado do palco deixar a festa para quem de fato deveria estar lá.
Ainda não foi desta vez que os americanos entenderam o que é uma Copa do Mundo. Se é que entenderão algum dia.


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