Alison dos Santos e a marca que mudou o patamar dos 400 m com barreiras (Divulgação/World Athletic)
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Na quinta-feira (27), logo depois da fantástica prova quando pulverizou o recorde mundial dos 400 metros com barreiras, Alison dos Santos ainda não tinha a exata noção de que havia mudado o patamar de uma das provas mais duras do atletismo.
“Não tenho palavras para explicar o que aconteceu, a não ser que acabei de quebrar o recorde mundial. Venho mostrando um ótimo desempenho ao longo da temporada, que sou rápido, que sou forte.”
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Na verdade, a marca de 45s80, superando o recorde anterior do norueguês Karsten Warholm, mostra que a briga para dominar os 400 m com barreiras está concentrada apenas em três nomes: Warholm, o americano Rai Benjamin e Piu, que agora, definitivamente, torna-se favorito ao ouro para os Jogos de Los Angeles-2028.
Domínio do trio
Nesta década, os três estão dominando a prova. Juntos, os três detém as três marcas mais rápidas da história dos 400m com barreiras. Em 2021, nos Jogos de Tóquio, Warholm ficou com o ouro e quebrou o recorde pela primeira vez em quase três década (45s94). Benjamin (prata) e Piu (bronze) vieram na sequência com tempos melhores que o recorde anterior, do americano Kevin Young (46s78, em Barcelona-92).
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No Mundial de 2022, em Eugene (EUA), Alison mostrou ao mundo que não era apenas um figurante, levando o título, superando Benjamin, que ficou em segundo. Desta vez, o norueguês teve problemas físicos e não passou do sétimo lugar.
Já em Paris-2024, foi a vez de Rai Benjamin brilhar, levando o ouro, com Warholm ficando com a prata e Piu com o bronze. Um detalhe comum nestas três competições: depois do recorde batido em Tóquio, nunca mais a marca mundial ficou próxima de ser superada. É justamente nesse contexto que o feito de Alison o impulsiona para o topo da lista de apostas para as próximas Olimpíadas.
Mudança de rotina
O caminho de Alison dos Santos até o recorde mundial passou por várias alterações em sua rotina, em decisão conjunta com o técnico Felipe de Siqueira. “Fizemos muitas mudanças nos treinos e nas competições para chegar a este momento. Estou largando mais rápido, terminando a prova com mais força, e era isso que eu precisava fazer para quebrar o recorde mundial”.
Não foi à toa que a primeira pessoa que Piu abraçou ao cruzar a linha de chegada foi justamente Siqueira. “Fui eu quem correu, mas foi ele quem tornou isso possível. Ele acreditou em mim quando eu era mais jovem e me ajudou a evoluir como atleta e como pessoa.”
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Neste ano, Alison já havia vencido todas as etapas da Diamond League que disputou. Inclusive superou Warholm nas quatro vezes que os dois se encontraram. Por tudo isso, não restava muita coisa ao norueguês do que cumprimentar o rival e novo rei dos 400m com barreiras.
“Minha primeira reação, honestamente, foi de choque. Vínhamos tendo disputas muito acirradas. Mas Alison é um ótimo corredor, muito rápido. Tenho que parabenizá-lo e dar-lhe o respeito que ele merece”.
Com seu feito, Alison dos Santos ampliou para cinco o número de recordistas mundiais do Brasil no atletismo, sendo o primeiro em provas de pista. Antes dele, vieram Adhemar Ferreira da Silva (1950, 1951, 1952 e 1955), Nelson Prudêncio (1968) João Carlos de Oliveira (1975), todos estes no salto triplo; e Ronaldo da Costa (1998), na maratona.
Temos um novo fenômeno no esporte brasileiro!


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