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Bia Haddad Maia e Duda Lisboa: as novas vítimas da “epidemia” dos problemas de saúde mental no esporte de alto rendimento (Divulgação/FPT e Instagram/Duda Lisboa)

Beatriz Haddad Maia chegou ao seu limite. Há uma semana, o maior nome do Brasil no tênis feminino desde Maria Esther Bueno surpreendeu a todos, quando anunciou, em um vídeo nas redes sociais que dará uma pausa em sua carreira, ao menos até o final do ano. Tenista número 1 do Brasil e que chegou a ocupar o 10º lugar no ranking da WTA (Associação das Tenistas Profissionais), ela não estava mais suportando uma rotina de derrotas e autocobranças intensas.

“Eu venho, mentalmente, enfrentando há alguns meses e não tem sido fácil. Quem me acompanha na quadra sabe que tem sido difícil para mim. Todos sabem da minha relação com o tênis, então eu queria dividir isso com vocês”, disse Bia, em seu vídeo. Aos 30 anos, atual número 156 do ranking, ela ganhou apenas quatro das 19 partidas que disputou nesta temporada. A última vez que entrou em quadra foi no final de junho, no torneio de Wimbledon, quando perdeu para a russa Maria Timofeeva.

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Bia Haddad é o exemplo mais recente de que o esporte de alto rendimento não é necessariamente um sinônimo de saúde, pelo contrário. O jornalista Alexandre Cossenza, especializado em tênis, disse em sua coluna no UOL que Bia usará o ranking protegido, benefício que permite ao tenista afastar-se do circuito por pelo menos seis meses.

Segunda pausa de Duda

Com isso, não disputará nenhum jogo oficial até 30 de dezembro, ressaltando que ela não estabeleceu um prazo para um retorno às quadras, o que é bom, em sua opinião. “Foram 13 derrotas em 13 jogos válidos por chaves principais em torneios de nível WTA. Uma troca de técnico. Lágrimas após uma derrota. Desabafos durante partidas. Beatriz Haddad Maia não vinha sendo feliz em quadra”, escreveu Cossenza, na abertura de seu texto.

O anúncio feito por Bia veio uma semana depois de outro “pedido de tempo”. No dia 31 de agosto, Duda Lisboa, campeã olímpica no vôlei de praia em Paris-2024, ao lado da parceira Ana Patrícia, anunciou que dará uma pausa na carreira. Nesse caso, já foi definido quando será o seu retorno, no caso em novembro. A decisão de Duda foi tomada em conjunto pela comissão técnica da dupla, pelo clube que defende (Praia Clube), pela CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) e COB (Comitê Olímpico do Brasil).

“Informamos que a campeã olímpica Duda Lisboa fará uma pausa na participação em competições até o mês de novembro deste ano, com o objetivo de chegar ao início da corrida olímpica para os Jogos de Los Angeles 2028 em sua melhor condição física e mental”, diz um trecho da nota da assessoria de imprensa da atleta. Não foi a primeira vez que Duda Lisboa faz uma pausa no vôlei de praia. No Mundial da Austrália, em novembro de 2025, ela e Ana Patrícia desistiram da competição por causa das crises de ansiedade que Duda vinha enfrentando.

Ela gravou um vídeo em seu perfil no Instagram falando sobre estes problemas de saúde mental ainda em junho, um mês antes do anúncio do último dia 31.

Crise é global

O mais lamentável em relação aos dois casos de Bia e Duda é saber que eles estão longe de ser uma exceção no esporte de alto rendimento. Cada vez mais conhecemos histórias de atletas, inclusive grandes ídolos, que não conseguem administrar a pressão e sofrem com os mais variados problemas.

Um dos casos mais emblemáticos teve como protagonista a ginasta americana Simone Biles. Durante as Olimpíadas de Tóquio, transferidas para 2021 por causa da pandemia, ela alegou que estava sofrendo de “twisties”, um bloqueio mental que causa perda de noção espacial no ar, aumentando o risco de lesões graves. A atleta argumentou que a continuidade nas provas comprometeria sua segurança física.

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Outra atleta que viveu momentos difíceis foi a tenista japonesa Naomi Osaka. Ela retirou-se de Roland Garros em 2021 após ser multada e ameaçada de desclassificação pelos organizadores por se recusar a participar de entrevistas obrigatórias. Ela publicou que lidava com depressão e episódios de ansiedade social relacionados à pressão midiática sobre ela.

Quem também precisou lidar com uma grave depressão foi o nadador americano Michael Phelps, maior medalhista olímpico da história. O ex-nadador relatou que sofreu episódios de depressão profunda e isolamento após as campanhas de Londres-2012 e Rio-2016. Phelps admitiu pensamentos suicidas e iniciou acompanhamento psiquiátrico, passando a atuar na defesa de políticas de saúde mental para atletas de alto rendimento.

Ajuda da ciência

Para tentar descobrir o que vem levando a tantos casos recorrentes neste sentido, a ciência do esporte vem realizando diversos estudos sobre a saúde mental dos atletas. Os resultados são assustadores.

O MDPI (Multidisciplinary Digital Publishing Institute), que publica regularmente estudos científicos, publicou uma revisão da Declaração do COI sobre Saúde Mental. O estudo destaca que os problemas mentais afetam todo o ecossistema esportivo. Entre os dados apurados, destacou-se que 32,6% dos atletas de elite sofrem de estresse e 18,3% de depressão. A pesquisa também aponta taxas severas de burnout, que variam de 36% a 58% entre os membros de equipes de suporte médico e técnico.

Veja também:

Monitoramentos feitos pelo COB com as equipes olímpicas brasileiras apontaVejm que três em cada dez atletas apresentam quadros de depressão, enquanto cerca de 8% dependem de medicamentos para insônia. Em maio de 2025, a entidade lançou um curso gratuito, na modalidade EAD, para ampliar a discussão sobre o problema e oferecer ferramentas de apoio.

Nos esportes coletivos, o drama é igual. Um estudo da FIFPRO (Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol) afirma que 38% dos jogadores de futebol profissional relatam sofrer com sintomas de transtornos mentais, como ansiedade ou depressão, ao longo da carreira. Além disso, os relatórios mostram que uma ampla maioria de jogadores reconhece que essas patologias impactam negativamente sua performance atlética.

Por isso, pense duas vezes antes de criticar o seu atleta favorito, caso aquela medalha ou vitória tão aguardada não venha. A pressão para se manter no topo pode estar sendo maior do que ele consegue suportar.

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Ao vencer a Iugoslávia por 76 a 63, em 30 de outubro de 1988, a União Soviética conquistou a medalha de ouro no basquete masculino das Olimpíadas de Seul-1988. Foi a segunda e última vez que os soviéticos venceram o basquete masculino olímpico, antes da separação do país, em 1990

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