Cerimônia de abertura Rio-2016 Estádio do Maracanã

A cerimônia de abertura das Olimpíadas Rio-2016 é apontada como uma das mais belas da história dos Jogos (Agência Brasil)

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Onde você estava em 5 de agosto de 2016? Para quem teve a sorte (como eu tive) de estar entre as cerca de 60 mil pessoas no Estádio do Maracanã, foi o dia de presenciar um fato histórico, a realização de um sonho improvável. A cerimônia de abertura dos Jogos Rio-2016 mostrou, apesar dos inúmeros problemas que a antecederam, que era possível sim trazer uma Olimpíada para a América do Sul. Aos olhos de hoje, parece cada vez mais difícil que isso ocorra novamente nos próximos anos.

Custo bilionário

O preço do feito inédito, contudo, foi alto. Literalmente. O custo dos Jogos, de acordo com relatório do TCU (Tribunal de Contas da União), chegou a R$ 43,8 bilhões, entre recursos públicos e privados. Bem mais do que previa o dossiê de candidatura, que orçava em R$ 28 bilhões o valor final da Olimpíada em terras cariocas.

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O valor para organizar os Jogos foi uma das grandes dores de cabeça da Rio-2016. Sem falar nas denúncias (corretas) de superfaturamento em algumas das obras, tanto esportivas como de infraestrutura. Algumas com impacto direto no evento, como a promessa não cumprida de despoluição da Baia da Guanabara, que foi palco das competições de vela.

Pressão internacional

Isso acabou servindo como “combustível” para quem queria apenas criticar a escolha do Rio, que na eleição de 2009 derrotou cidades consideradas favoritas, como Chicago (EUA) ou Madri (Espanha). Primeiro, as próprias federações internacionais que faziam diversas exigências para suas instalações.

A imprensa internacional também contribuiu para o clima de incerteza às vésperas dos Jogos, com inúmeras reportagens, algumas em tom alarmista, sobre a epidemia de zika vírus que atingia algumas regiões do Brasil na época. Algumas até recomendavam que mulheres grávidas não viajassem ao Rio para acompanhar os Jogos. Como se sabe, não houve nenhum caso de zika nas arenas olímpicas.

Legado olímpico e esportivo

A discussão sobre o aproveitamento do chamado “legado olímpico” também foi um ponto recorrente aos críticos da realização dos Jogos no Rio de Janeiro. O principal questionamento era sobre como seriam aproveitadas as instalações do Parque Olímpico da Barra e de Deodoro, especialmente.

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A crise política e econômica do Brasil na época, que teve como ponto mais grave o impeachment da presidente Dilma Rousseff, afetou por tabela a discussão sobre a gestão do legado. Um plano inicial foi apresentado apenas em 2017, mas efetivamente as coisas só começaram a ter uma real definição a partir de 2022. Até então, a sensação era de quase abandono e desleixo com várias destas arenas.

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A Arena do Futuro, palco de competições de handebol, demorou seis anos para ser desmontada, com seu material dando origem a quatro escolas. A piscina do Estádio Aquático, onde o nadador americano Michael Phelps tornou-se o maior medalhista olímpico da história, só retornou para uso público no ano passado. Só agora, dez anos depois, que a prefeitura do Rio está concluindo o projeto de entregar o Parque Olímpico da Barra para a gestão privada.

Mesmo longe de justificar o maldoso apelido “largado olímpico”, ainda há cenas tristes, como o incêndio que atingiu a cobertura do Velódromo Olímpico, em abril deste ano. Obra que custou R$ 143 milhões, foi a última instalação entregue para a Olimpíada. Já sofreu dois outros incêndios.

Contudo, o velódromo é um local que efetivamente vendo sendo utilizado pela população após os Jogos, atendendo cerca de 4 mil pessoas para aulas de diversas modalidades, além de receber equipes nacionais de três modalidades (ciclismo, esgrima e levantamento de peso) para treinarem no local.

Marco para o esporte brasileiro

Brasil Rio 2016
Com Yane Marques de porta-bandeira, a delegação do Brasil entra no Maracaná, no desfile de abertura (Divulgação/Rio-2016)

Mas talvez o principal legado da Olimpíada do Rio seja o esportivo. Os Jogos de 2016 representaram um marco na história do esporte olímpico brasileiro. Foi no Rio que o torcedor vibrou com conquistas históricas como as medalhas de ouro de Rafaela Silva (judô), Thiago Braz (atletismo), da seleção masculina de vôlei e da dupla Alison e Bruno, no vôlei de praia. Sem contar o feito inédito de Isaquias Queiroz e suas três medalhas da canoagem velocidade.

A campanha recorde de 19 medalhas (sendo sete de ouro) acabou superada nos Jogos de Tóquio, realizados em 2021 por causa da pandemia. Os 21 pódios no Japão foram efeito direto dos investimentos realizados na preparação para o Rio. E muitos da geração 2016 seguem brilhando, como Rebeca Andrade, da ginástica artística, a maior medalhista olímpica individual do Brasil (duas de ouro, três de prata e uma de bronze).

Por isso, toda vez que alguém lhe perguntar se a Rio-2016 valeu a pena, pode cravar sem pensar duas vezes: sim, valeu demais.

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VOCÊ SABIA?

Ao vencer a Iugoslávia por 76 a 63, em 30 de outubro de 1988, a União Soviética conquistou a medalha de ouro no basquete masculino das Olimpíadas de Seul-1988. Foi a segunda e última vez que os soviéticos venceram o basquete masculino olímpico, antes da separação do país, em 1990

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