Estádio Ícaro de Castro Mello (Ibirapuera) Atletismo

Após mais de dez anos, o estádio Ícaro de Castro Mello, no Ibirapuera, voltará a receber competições de atletismo (Matias Santana/CBAt)

Após uma década, o atletismo brasileiro retorna ao seu principal palco. Nesta sexta-feira (3/7), o governo de São Paulo entregou o Estádio Ícaro de Castro Mello, no Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, no Ibirapuera, após um processo inédito de revitalização. Assim, o complexo agora abriga a única pista de nove raias com certificação Classe 1 da World Athletics (Federação Internacional de Atletismo) na América Latina.

Dessa forma, como marco oficial da reabertura, o estádio Ícaro de Castro Mello sediará o Troféu Brasil Loterias Caixa de Atletismo, programado para ocorrer entre os dias 23 e 26 de julho.

Infraestrutura modernizada

Além de ganhar uma raia extra e uma nova área de aquecimento, o projeto preservou os elementos originais da arquitetura modernista do estádio. Durante a obra, a administração instalou 11 mil assentos, novos guarda-corpos de vidro, dois telões e um novo sistema de iluminação.

Além disso, as equipes requalificaram os vestiários, banheiros, áreas para academia, fisioterapia e os espaços para a imprensa. O local não recebia uma competição oficial de atletismo desde 2015.

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A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e a Secretaria de Esportes conduziram a modernização. A empresa PlayPiso forneceu e instalou a pista da marca italiana Mondo, mesmo equipamento presente nos estádios de atletismo dos últimos 14 Jogos Olímpicos. A fornecedora também instalou guias internas, gaiola de lançamentos, fosso e caixas de saltos.

Para Wlamir Motta Campos, presidente do Conselho de Administração da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), a pista do Ícaro de Castro Mello é emblemática. “Além da pista Mondo, de excelência, toda a infraestrutura do estádio foi modernizada, de maneira muito bem pensada”, avaliou o dirigente. “No Ibirapuera, temos algumas das melhores memórias da história do nosso esporte. Agora esperamos que ele volte a ser o principal palco do atletismo brasileiro”, completou.

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De velódromo a palco internacional

Historicamente, o espaço nasceu com outra finalidade. Inaugurado em 1954 como o Velódromo do Ibirapuera, o equipamento integrou as comemorações do IV Centenário da capital paulista. Posteriormente, em 1963, o local recebeu as provas de ciclismo dos Jogos Pan-Americanos de São Paulo. No entanto, apenas em 1968 o velódromo virou a casa do atletismo, graças a um projeto de reformulação desenhado pelo engenheiro-arquiteto Ícaro de Castro Mello em 1965.

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Nos anos 1980, o estádio consolidou-se no cenário global. Entre 1985 e 1995, o Ibirapuera sediou 11 edições consecutivas do Meeting Internacional de São Paulo, evento que passou a integrar o circuito da Federação Internacional de Atletismo a partir de 1990. Nesse período, atletas do porte de Carl Lewis, Michael Johnson, Sergey Bubka, Jan Zelezny e Maria Mutola competiram na pista paulista.

Celeiro de medalhistas olímpicas

Além de atrair estrelas internacionais, o estádio serviu como base de formação para talentos nacionais. Maurren Maggi, campeã olímpica do salto em distância em Pequim-2008, integrou o antigo Projeto Futuro (atual Centro de Excelência). A saltadora deixou São Carlos (SP) em 1994 para morar nos alojamentos do complexo e treinar no local até sua aposentadoria, em 2016.

“Falar dessa pista é sempre muito bom porque eu praticamente nasci lá para o esporte. Espero que, com essa revitalização, o Ibirapuera seja para as outras pessoas o que foi para mim”, destacou Maurren. “É o maior celeiro esportivo que tivemos no Brasil e espero que volte a ser”, afirmou a campeã olímpica.

Da mesma forma, Fabiana Murer, bicampeã mundial do salto com vara, desenvolveu sua carreira no estádio paulista. “Foi muito emocionante voltar para a pista, relembrar que eu praticamente comecei lá. Foi onde eu me desenvolvi, onde eu treinei para ser campeã dos Jogos Pan-Americanos em 2007, no Rio, e onde entrei para a elite do salto com vara, quando saltei 4,80 m, recorde sul-americano, no Troféu Brasil de 2008″, relembrou a ex-atleta.

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