O ucraniano Vladyslav Heraskevy exibe o capacete com homanegens aos mortos da guerra com a Rússia (Reprodução/Twitter)
Ao alinhar para a primeira bateria do skeleton masculino nesta quinta-feira (12), às 5h30 (horário de Brasília), pelos Jogos de Inverno Milão/Cortina, o ucraniano Vladyslav Heraskevy terá as atenções todas voltadas para ele. Mais precisamente para o seu capacete. Ele prometeu usar uma peça com fotos de atletas da Ucrânia que morreram durante a guerra com a Rússia, iniciada em 2022. O problema é que esse capacete pode causar sua eliminação.
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Porta-bandeira da Ucrânia na cerimônia de abertura em Milão na última sexta-feira (6), Heraskevy resolveu fazer um tributo a 24 atletas ucranianos vítimas na invasão protagonizada pelos russos e iniciada logo após o fim dos Jogos de Inverno de Pequim-2022. Por causa do conflito, Rússia e Belarus, sua aliada na invasão, foram banidos do ecossistema do esporte mundial desde então.
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“Graças aos sacrifícios deles [atletas que morreram na guerra], podemos competir aqui como uma equipe. Não os trairei. Acredito que eles merecem estar comigo no dia da competição”, afirmou Heraskevy, em uma entrevista coletiva em Cortina d’Ampezzo, local da prova.
O que diz a Regra 50 da Carta Olímpica
Entretanto, para o COI (Comitê Olímpico Internacional), esta homenagem é inviável. Diz a Regra 50.2 da Carta Olímpica: “Nenhuma manifestação (política, religiosa ou racial) é permitida na área de competições ou em pódios.
“Queremos que ele compita. De verdade, queremos que ele tenha o seu momento. Vamos entrar em contato com o atleta e explicar sobre as muitas oportunidades para ele expressar o seu luto. Usar uma braçadeira preta durante a prova, por exemplo. Mas existem cerca de 130 conflitos acontecendo no mundo. Não é possível ter estes 130 conflitos registrados na competição em si”, disse Mark Adams, porta-voz do COI.
Portanto, Vladyslav Heraskevy será eliminado se usar o capacete com as imagens dos atletas mortos na guerra.
“Obviamente existem regras e regulamentos que os próprios atletas aprovaram. Eles serão aplicados em última instância”, finalizou Adams.
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Precedentes e hipocrisia
Contudo, o piloto ucraniano do skeleton apontou uma espécie de hipocrisia na ameaça do Comitê Olímpico Internacional. “Acredito que não estou violando a Regra 50, pois propaganda política, discriminatória ou racial definitivamente não tem nada a ver com esse capacete”, afirmou.
Heraskevy apontou duas situações semelhantes que em sua opinião tiveram outra abordagem pelos dirigentes do COI. Em primeiro lugar, o patinador artístico americano Maxim Naumov, que após sua apresentação exibiu uma fotografia dos pais, mortos em um acidente de avião mês passado. Ele lembrou também o caso de um atleta de Israel, que teria usado um quipá na cerimônia de abertura com o nome dos 11 atletas e treinadores mortos nos Jogos de Munique-1972, em um ataque terrorista.
“Não entendo, sinceramente, qual a diferença do meu caso para estes. As regras do COI são as mesmas para cerimônia e locais de competição. Se isso não é discriminação, então o que é?”, escreveu Heraskevy na rede social X.


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