Neymar comemora a conquista da inédita medalha de ouro no futebol olímpico, nos Jogos Rio-2016 (Divulgação/COB)
Fonte de inspiração para a criação da Copa do Mundo em 1930, o torneio olímpico masculino de futebol há muito tempo perdeu relevância dentro da modalidade. Muito graças à Fifa, que impõe regras de limitação de idade para as seleções, e forte pressão dos clubes para não terem seus atletas convocados. Não é de hoje que a influência das equipes olímpicas nas seleções principais é mínima e isso se repetirá no Mundial que começa nesta quinta-feira (11).
Um levantamento realizado pelo blog com os 1.248 convocados para a Copa do Mundo 2026 mostra que apenas 122 deles participaram de ao menos uma das últimas cinco edições dos Jogos Olímpicos. Ou 9,77% para ser mais exato.
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Embora os números indiquem a perda de relevância do futebol olímpico masculino atualmente, seria errado negar a própria importância histórica do torneio. O Uruguai, por exemplo, passou a ser conhecido como “Celeste Olímpica” graças às medalhas de ouro conquistas nos Jogos de Paris-1924 e Amsterdã-1928.
Sem profissionais
A partir da década de 50, com a exigência do amadorismo por parte do COI (Comitê Olímpico Internacional), os países do então chamado bloco socialista acabavam levando vantagem, pois utilizavam os mesmos jogadores das seleções principais, sob o argumento de que eles não eram profissionais – muitos eram oficialmente funcionários de empresas dos governos. Com isso, conseguiam dominar com facilidade a disputa por medalhas, enfrentando jogadores juvenis.
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A partir de Barcelona-1992, o torneio masculino passou a ser disputado com atletas de no máximo 23 anos, permitindo a inscrição de três atletas acima deste limite. No fundo, a Fifa nunca quis fortalecer o futebol masculino olímpico, justamente para não concorrer com seu principal e mais valioso produto: a Copa do Mundo.
Além disso, outra prova da queda de prestígio do futebol masculino nas Olimpíadas está nos Jogos de Los Angeles-2028. Pela primeira vez, a competição feminina terá mais participantes (16) do que a masculina (12). Vale lembrar que, nos Estados Unidos, o futebol é muito mais praticado e popular entre as mulheres
Brasil terá medalhistas

Desprestigiado ou não, o fato é que futebol olímpico teve importância na lista de convocação de 23 países nesta Copa. Alguns inclusive ostentam no currículo medalhas conquistadas nestes Jogos. É o caso da seleção brasileira. O técnico Carlo Ancelotti chamou nove “olímpicos” para este Mundial, dos quais sete foram campeões. São eles Neymar, Weverton, Marquinhos e Douglas Santos, ouro nos Jogos Rio-2016; Matheus Cunha, Bruno Guimarães e Gabriel Martinelli, campeões em Tóquio-2020.
O elenco do Brasil na Copa ainda contará com Danilo e Alex Sandro, que conquistaram a medalha de prata em Londres-2012, edição que também teve a presença de Neymar e Marquinhos.
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Além do Brasil, outros favoritos também apostaram em jogadores que ganharam medalha olímpica no futebol. Destaque para a Espanha, com nada menos do que 12 representantes da safra que foi medalha de prata em Tóquio-2020 e ouro em Paris-2024. Foram prata no Japão Unai Simon, Eric Garcia, Cucurella, Zubimendi, Pedri, Merino, Oyarzabal e Dani Olmo. Levaram o ouro na França Eric Garcia, Joan Garcia, Pau Cabarsi, Marc Pubill e Álex Baena.
A França, que é apontada como candidata ao título na América do Norte, teve na campanha da medalha de prata de Paris-2024, por exemplo, o meia-atacante Michael Olise e o meia Rayan Cherki; a estrela da seleção de Marrocos, o lateral Achraf Hakimi, participou do bronze em 2024; Cesar Montes e Luis Romo, foram dois dos sete convocados do México na conquista do bronze em Tóquio-2020.
Base olímpica neozelandesa
Contudo, nenhuma seleção bebeu tanto da fonte olímpica quanto a Nova Zelândia. A equipe da Oceania, forte candidata a fazer figuração nesta Copa do Mundo, terá nada menos do que 21 dos 26 jogadores com participação em Olimpíadas. Como praticamente não tem concorrentes continentais, os neozelandeses marcaram presença em quatro dos últimos cinco edições dos Jogos Olímpicos. A única ausência ocorreu no Rio-2016.
A Nova Zelândia tem inclusive um dos dois jogadores que participaram da edição olímpica mais antiga neste século, Pequim-2008. Atualmente com 37 anos, o zagueiro Michael Boxall fez parte daquela equipe e da seleção que representou o seu país nos Jogos de Paris, em 2024.

O outro veterano olímpico é um dos maiores jogadores da história do futebol mundial, o argentino Lionel Messi. Cabeludo e usando a camisa 15, ele integrou o time do bicampeonato olímpico da Argentina. Por sinal, esteve em campo na semifinal e com ótima atuação ajudou a eliminar o Brasil por 3 a 0.


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