Angelina Melnikova é uma das ginastas russas que ainda não tiveram visto para o Mundial de Ginástica Artística na Holanda (Reprodução/Twitter)
O Campeonato Mundial de ginástica artística em Roterdã (HOL) começa neste sábado (17) e marca o início da corrida olímpica para os Jogos de Los Angeles-2028. No entanto, um conflito geopolítico ameaça o evento, que distribuirá três vagas por gênero na prova por equipes. Isso ocorre porque a embaixada holandesa em Moscou negou o visto de entrada a três das principais ginastas da Rússia. São elas Angelina Melnikova (atual campeã mundial), Viktoria Listunova (campeã olímpica em Tóquio-2020) e Anna Kalmykova (campeã europeia).
Segundo o site “Inside the Games”, a única alegação dada pelas autoridades holandesas foi por “ameaça às relações internacionais”. Entretanto, como a World Gymnastics (Federação Internacional de Ginástica) já havia revogado em maio todas as restrições aos russos, o problema chegou às esferas diplomáticas.
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“O Comitê Olímpico Russo (ROC) entrará em contato com o Comitê Olímpico Internacional e a Federação Mundial de Ginástica, exigindo que o Campeonato Mundial de Ginástica Artística em Roterdã perca seu status de classificatório devido à não participação das principais atletas russas”, disse Mikhail Degtyarev, presidente do ROC e Ministro de Esportes da Rússia, em uma postagem no Telegram.
Desigualdade de forças
Além disso, a Rússia ainda exigirá do COI e da World Gymnastics que tomem medidas para garantir a igualdade de participação das atletas russas no processo de qualificação olímpica. A Federação Russa de Ginástica também se posicionou de forma enfática. Segundo a entidade, ao negar o visto às ginastas, as autoridades holandesas estão tentando influenciar na competição.
“A Federação Russa de Ginástica considera as ações das autoridades holandesas uma tentativa deliberada de eliminar as melhores ginastas da disputa por medalhas no Campeonato Mundial e vagas olímpicas. Isso constitui discriminação direta contra as atletas russas e uma grave violação do princípio da igualdade de condições para a qualificação olímpica”, afirmou a entidade, em seu site.
Sem explicação
Constrangida pelo incidente diplomático, restou à World Gymnastics apenas uma nota oficial lamentando o episódio. “A emissão de vistos para todos os participantes é um processo determinado exclusivamente pelas autoridades holandesas. A World Gymnastics não está em posição de explicar por que um número seleto de pedidos de visto foi recusado. A World Gymnastics mantém diálogo constante com as autoridades holandesas, o Comitê Organizador Local e a Federação Russa de Ginástica”, disse a entidade.
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Cinco ginastas da equipe masculino tiveram vistos concedidos normalmente, assim como quatro ginastas da equipe feminina. Todos já estão em Roterdã.
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Entretanto, com quatro atletas e não cinco como o habitual, a Rússia estará prejudicada para a competição por equipes, justamente a que tem vagas olímpicas em disputa no Mundial.
Ter o visto negado às vésperas de uma competição tem sido algo recorrente para Angelina Melnikova. Em agosto, ela chegou a ter a entrada barrada inicialmente na Croácia, antes do Campeonato Europeu. Porém, a situação foi revertida e ela conseguiu o título continental. Em suas redes sociais, ela gravou um vídeo onde classificou a situação como humilhante.
“Por dentro, dá vontade de chorar. Mas é como se eu pressentisse que isso ia acontecer, porque algo dentro de mim me dizia isso. Numa situação dessas, o senso de dignidade começa a se manifestar, e como você está sendo humilhada assim, você nem quer ir, por que qual seria o sentido?”, disse a campeã olímpica por equipes em Tóquio-2020.


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