Fred Kerley, atletismo, Jogos Aprimorados

O americano Fred Kerley competirá nas provas de velocidade do atletismo nos Jogos Aprimorados (Reprodução)

Imagine você acompanhar um evento com grandes atletas da natação, atletismo e levantamento de peso. Alguns deles com medalhas olímpicas no currículo. Como bônus, podem até receber prêmios milionários se quebrarem recordes mundiais. Mas há um detalhe: eles estão liberados para competirem dopados. Este, em resumo, é o espírito dos Jogos Aprimorados, ou Enhanced Games, competição que vai acontecer no próximo dia 24, em Las Vegas (EUA), no feriado americano do Memorial Day.

O que são os Jogos Aprimorados?

O advogado australiano e ex-jogador de rúgbi Aaron D’Souza criou os Jogos Aprimorados. Basicamente, a ideia bizarra é mostrar que um atleta, usando substâncias químicas adequadas, mas proibidas pelas autoridades esportivas, pode superar todos os limites. Na prática, é premiar a trapaça e a falta de espírito esportivo, sob a justificativa de realizar um experimento científico.

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No último domingo (3), o programa “Fantástico”, da TV Globo, exibiu uma reportagem sobre os Jogos Aprimorados, quando mostrou que há um atleta brasileiro envolvido no projeto: o nadador Felipe Lima, que disputou dois Jogos Olímpicos.

O preço de um recorde mundial

James Magnussen Jogos Aprimorados
O australiano James Magnussen foi o primeiro grande nome do esporte a topar competir nos Jogos Aprimorados, em fevereiro de 2024 (Facebook/James Magnussen)

Mas o que levaria a um atleta de alto rendimento aceitar jogar sua reputação no lixo para competir dopado? A resposta está no bolso.

Os Jogos Aprimorados vão oferecer US$ 1 milhão para cada recorde mundial batido. D’Souza lançou a ideia em 2023 e menos de um ano depois, surgiu o primeiro grande nome. O nadador australiano James Magnussen, com três medalhas olímpicas no currículo, ficou interessado. “Por US$ 1 milhão, eu poderia quebrar o recorde dos 50 metros”.

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Portanto, o evento, que parecia um devaneio, acabou se tornando realidade. Hoje, a empresa que organiza os Jogos Aprimorados conta com uma equipe de 41 atletas, muitos deles medalhistas olímpicos e mundiais, na natação, atletismo e levantamento de peso. Além disso, a própria questão do doping conta com um certo controle.

A organização utiliza apenas drogas aprovadas pelo FDA, a agência reguladora dos Estados Unidos. O doping também precisa seguir um rigoroso protocolo dos organizadores. Quem não quiser se dopar, tudo bem.

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Além de James Magnussen, a natação terá outros nomes de peso, como o ucraniano Andri Govorov, recordista mundial dos 50 m borboleta. No atletismo, destaque para a presença do americano Fredy Kerley, duas vezes medalhista olímpico nos 100 metros: prata em Tóquio-2020 e bronze em Paris-2024. Ironicamente, vejam só, ele está suspenso por doping atualmente.

Sobre a premiação, vale destacar que o prêmio de US$ 1 milhão será pago somente para o campeão dos 50 m livre da natação e dos 100 m rasos do atletismo, as provas mais rápidas das duas modalidades.

Reação do Movimento Olímpico

Obviamente, os Jogos Aprimorados encontram total repúdio no Movimento Olímpico. “A ideia dos Jogos Aprimorados não merece qualquer comentário. Se você quer destruir qualquer conceito de jogo limpo e competição justa no esporte, esta seria uma ótima maneira de fazê-lo”, disse o COI (Comitê Olímpico Internacional), através de um comunicado, em 2024.

Para a WADA (Agência Mundial Antidoping), os Jogos Aprimorados são um evento que colocam a saúde dos atletas em risco. “A beleza e a popularidade do esporte se baseiam no ideal de competição limpa e justa. Os atletas servem de exemplo, e acreditamos que este evento envia uma mensagem perigosa para os jovens de todo o mundo”, disse a entidade em comunicado, no final de 2025.

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