Sabastian Sawe cruza a linha de chegada com o tempo histórico abaixo de 2 h na Maratona de Londres (Reprodução)
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Sempre é necessário ter cautela com os superlativos. Mas no que se refere à histórica Maratona de Londres, eles são perfeitamente aplicáveis. Afinal, esta é a prova que será para sempre lembrada como aquela em que o queniano Sabastian Sawe se tornou o primeiro ser humano a correr uma maratona oficial em menos de duas horas.
Desse modo, ao cruzar a linha de chegada em 1h59min30s, ele pulverizou a marca anterior em mais de um minuto (2h00min35s), que pertencia ao compatriota Kelvin Kiptum, morto em 2024 em um acidente automobilístico.
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A prova realizada no último domingo (26) foi tão marcante que todos os integrantes do pódio masculino melhoraram o recorde anterior. O segundo colocado, o etíope Yomif Kejelcha, por exemplo, completou o percurso em 1h59min41s. O ugandense Jacob Kiplimo, terceiro colocado, fez o tempo de 2h00min28s!
Além do feito histórico no masculino, entre as mulheres Londres também foi uma maratona especial. A etíope Tigst Assefa conquistou o bicampeonato da prova e ainda por cima também quebrou o recorde mundial (2h15min41s).
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Tão impressionante quanto o recordo de Sawe foi a forma como a marca foi alcançada. Ao longo dos 42,195 km, o queniano registrou um ritmo médio de 2min49s por quilômetro. Isso dá uma velocidade média de 21,2 km/h.
Preparação antidoping
Apesar do feito impressionante, a Adidas, empresa que patrocina Sabastian Sawe, preparou um plano de contingência. Em razão dos diversos casos de doping envolvendo fundistas africanos nos últimos anos, foi elaborada uma estratégia para evitar um clima de desconfiança, caso o recorde fosse alcançado.
A empresa de material esportivo doou US$ 50 mil à Unidade de Integridade de Atletismo (AIU), responsável pelo controle antidoping da modalidade e solicitou que Sawe passasse por um volume fora do comum de exames. Dois meses antes da Maratona de Berlim de 2025, o queniano passou por 25 testes de sangue e urina, de duas a três vezes por semana. Ele venceu a prova, mas o recorde não veio.
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A estratégia foi repetida para a Maratona de Londres. Com os resultados de tantos testes negativos, não haveria qualquer suspeita em torno de sua performance. “O doping se tornou um câncer no meu país. Montamos esse programa de testes rigoroso para mostrar ao mundo que podemos correr limpos e rápidos”.
Vem aí um novo recorde?
Mal as pessoas se acostumaram com a ideia de ver um atleta correr a maratona abaixo do tempo de duas horas e já há quem diga que é possível correr ainda mais rápido. Dias após a vitória de Sabastian Sawe na Maratona de Londres, um professor australiano especializado no estudo da prova garante que corredores podem melhorar a marca em mais de cinco minutos.
Segundo Simon Angus, cientista de dados e economista da Universidade Monash de Melbourne, é possível imaginar que atletas possam completar a maratona em 1h54min. Ele utiliza padrões estatísticos, com base na evolução dos tempo da prova ao longo dos anos, e aponta outros fatores para sustentar sua tese. “Patrocinadores e equipes investem muito dinheiro em nutrição, treinamento e tecnologia de calçados. Isso significa que, quando alguém se coloca um pouco à frente, consequentemente se beneficia desses avanços tecnológicos”, afirmou.


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