A ala/pivô Damiris Dantas sofre com a marcação de duas chinesas na eliminação do Brasil do Pré-Mundial (FIBA)
Como em um filme repetido (e ruim), a seleção brasileira feminina de basquete está fora da Copa do Mundo de 2026, em Berlim (ALE), no mês de setembro. A derrota para a China nesta terça-feira (17) por 83 a 71, no Pré-Mundial em Wuhan (CHN) confirmou a eliminação brasileira da principal competição da modalidade neste ano.
Para piorar o quadro, este será o terceiro Mundial seguido sem a participação do basquete feminino brasileiro. Assim, repetiu os fiascos que deixaram a equipe fora da Copa de 2018 (Espanha) e 2022 (Austrália). No geral, o Brasil está fora de uma grande competição internacional no basquete feminino desde as Olimpíadas do Rio-2016. Afinal, a seleção também não se classificou para os Jogos de Tóquio-2020 e Paris-2024.
Uma dura realidade para um país que é um dos únicos, ao lado da Austrália, a ter na galeria um troféu de campeão mundial (1994). Não é pouca coisa. Talvez por isso a desclassificação seja tão dolorida.
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O caminho para outra eliminação
Embora as perspectivas iniciais indicassem uma chance bem razoável de classificação para o Mundial de Berlim, a realidade foi bem diferente. As 11 vagas em disputa estavam distribuídas em quatro torneios eliminatórios.
O Brasil ainda teve a sorte de cair no Pré-Mundial de Wuhan, onde havia um país já classificado, a Bélgica. Portanto, entre as seis seleções deste grupo, a equipe brasileira teria que chegar à frente de duas.
Também contribuiu para este otimismo as boas campanhas em torneios continentais, como o título da AmeriCup de 2023 e o vice na mesma competição em 2025.
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Além disso, contava com um elenco experiente (28,8 anos de média), com duas jogadoras de grande nível, as pivôs Kamilla Cardoso e Damiris Dantas. No banco, o Brasil é comandado desde 2024 pela treinadora americana Pokey Chatman, uma das melhores do mundo e que desde 2011 atua nos principais times da WNBA, a liga profissional americana.
E mesmo assim, a vaga para a Copa não veio.
O que deu errado?
As causas para o basquete feminino do Brasil estar ausente de mais um Mundial são basicamente estruturais.
Houve uma preocupação em colocar a seleção feminina sob comando de uma das melhores treinadoras do mundo. Novos nomes surgiram nos últimos anos, com grande potencial, como é o caso de Bella Nascimento e Emanuely Oliveira. Há uma liga nacional de clubes (a LBF) relativamente bem estruturada, com 10 equipes, jogos sendo transmitidos pela TV e comandada hoje por um nome histórico do basquete feminino, a ex-pivô Erika de Souza.
O problema, contudo, é bem mais profundo.
O trabalho de base no basquete feminino do Brasil é ruim. Em comparação com o masculino, há pouco investimento na formação entre as mulheres. Não existe, por exemplo, uma liga de acesso na LBF como há no NBB. No Mundial Sub-19 de 2025, o Brasil ficou apenas na 14ª colocação. No ano anterior, na AmeriCup Sub-18, a seleção ficou até fora do pódio, ao ser superada pela Argentina.
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À falta de renovação, soma-se também ao problema de postura das atletas em grandes competições. O Brasil ainda precisa demais de suas principais estrelas, Damiris e Kamilla. Nesta terça-feira, contra a China, as duas juntas marcaram 38 pontos, mais da metade do que a seleção toda obteve no placar final de 71 pontos.
Se quiser retornar ao roteiro das principais competições do planeta, o basquete feminino do Brasil precisa fazer uma mudança de rota completa. Ou então se tornará um mero coadjuvante na modalidade.


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