Marquinhos Abdalla, morto no domingo (22), brilhou com a camisa da seleção brasileira e disputou três Olimpíadas (Divulgação/CBB)
A morte do ex-pivô Marquinhos Abdalla, confirmada na noite deste domingo (22), deixa o basquete do Brasil de luto. Aos 73 anos (completaria 74 nesta segunda, 24), Marquinhos foi um dos maiores jogadores de sua geração, brilhando tanto com a camiseta da seleção entre os anos 70 e 80 como por clubes. Mas Marquinhos também pode ser chamado de pioneiro. Foi ele o primeiro brasileiro a ser escolhido para atuar na NBA, a liga profissional da modalidade.
Pioneiro no Brasil
Carioca de nascimento, Marquinhos iniciou a carreira no Fluminense, onde foi campeão várias vezes na categoria de base e no adulto. Após integrar a seleção brasileira vice-campeã do Mundial da Iugoslávia, em 1970, e ouro no Pan-Americano de Cali-1971, Marquinhos teve a oportunidade de atuar no basquete universitário dos EUA.
A fortíssima NCAA, a liga universitária de basquete, serve até hoje como trampolim para os jogadores chegarem à NBA. Consequentemente, naquela época, era uma espécie de passagem obrigatória.
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Foi neste contexto que Marquinhos Abdalla desembarcou em 1974 para defender a Pepperdine University, na Califórnia. Após um começo difícil, onde chegou a sofrer uma espécie de boicote de outros atletas, conseguiu mostrar todo o seu jogo, tornando-se um dos destaques da equipe.
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Marquinhos foi muito bem e por isso chamou a atenção dos olheiros da NBA e em 1976, recebeu um convite do Portland Trail Blazers para participar do draft. Trata-se de um evento anual de recrutamento, no qual as franquias escolhem jovens talentos do basquete universitário e do exterior para integrarem suas equipes.
Veto aos profissionais da NBA
Aliás, vale lembrar que até o início dos anos 90, o COI (Comitê Olímpico Internacional) e a FIBA (Federação Internacional de Basquete) proibiam os jogadores da NBA de defenderem seus países nas Olimpíadas. Entretanto, isso mudou de vez a partir dos Jogos de Barcelona-1992. Naquele ano, a FIBA liberou os Estados Unidos para levarem aquele que é considerado o maior time de todos os tempos, o “Dream Team”.
O time que tinha estrelas como Michael Jordan, Magic Jonhson, Scottie Pippen, Pat Ewing, Larry Bird, Charles Barkley e outros astros encantou o mundo, ganhou a medalha de ouro o mudou o paradigma do basquete mundial a partir de então. Atualmente, em qualquer competição, as seleções contam com os atletas que jogam na melhor liga de basquete do planeta.
Em 1976, quando veio o convite do Portland, ainda havia o veto à presença dos profissionais nos torneios organizados pela FIBA. Assim, Marquinhos abriu mão do contrato oferecido pelos americanos para seguir defendendo a seleção brasileira. Do mesmo modo ocorreu anos depois algo pareccido com o ala Oscar Schmidt, que teve uma oferta par atuar no New Jersey Nets, que é o atual Brooklyn Nets.
Carreira brilhante

Apesar da recusa, Marquinhos não precisou passar pela NBA para escrever uma história de sucesso no basquete do Brasil. Pela seleção brasileira, além do vice-campeonato mundial em 1970 e o ouro no Pan de 1971, esteve presente em três Olimpíadas: Munique-1972, Moscou-1980 e Los Angeles-1984.
Em clubes, sua presença mais icônica foi no Esporte Clube Sírio, pelo qual foi campeão mundial interclubes de 1979. Defendeu ainda o Fluminense, Flamengo, Bradesco, Virtus Bologna e Genova, os dois últimos da Itália.
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O ex-treinador José Medalha, que trabalhou com Marquinhos na seleção que esteve nos Jogos de 1984, divulgou em sua rede social alguns números e informações bastante relevantes sobre a carreira do ex-pivô:
- Atuou na seleção brasileira por 15 anos, entre 1969 e 1984
- Disputou 337 jogos, tendo anotado 5.143 pontos
- Fez sua estreia pela seleção no Torneio Internacional de Madrid, contra o Uruguai
Sua última partida com a camisa do Brasil foi nos Jogos de Los Angeles-1984, na vitória do Brasil sobre a China por 86 a 76. Ele assinalou 13 pontos no jogo que definiu o 9º lugar para a seleção brasileira naquela edição.


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