Maria Sharapova em coletiva de imprensa admitindo doping de meldonium

A tenista russa Maria Sharapova durante entrevista coletiva em que admitiu a culpa por doping em 2016 (Reprodução)

Em março de 2016, havia uma expectativa enorme para a realização dos Jogos Olímpicos do Rio, marcados para o início de agosto daquele ano. Seria a primeira edição de uma Olimpíada na América do Sul. Contudo, o Brasil estava sob uma lupa gigante da comunidade esportiva mundial. Afinal, pelos problemas de organização, atrasos nas obras e até uma epidemia de Zika Vírus, havia expectativa se tudo isso afetaria a presença de estrelas de diversas modalidades.

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No tênis feminino, por exemplo, a americana Serena Williams, líder do ranking da WTA (Associação Feminina de Tênis) era uma das mais aguardadas na Rio-2016. Mas os fãs, especialmente os brasileiros, também esperavam fervorosamente ver em ação a russa Maria Sharapova. Em março de 2016, ela ocupava o 7º lugar do ranking mundial, mas já havia sido a primeira do mundo em 2005 e conquistado cinco títulos de Grand Slam (circuito dos principais torneios do mundo) até então.

Escândalo mundial

Até que no dia 7 de março, veio uma entrevista coletiva que se transformou em uma inesperada confissão de culpa e abalou o esporte. Em janeiro de 2016, um exame antiidoping flagrou Sharapova durante o Aberto da Austrália. A tenista, eliminada nas quartas de final por Serena Williams, havia testado positivo para a substância Meldonium, um medicamento usado para tratar doenças cardiovasculares e bronco pulmonares. O problema é que o medicamento fazia parte da lista de substâncias proibidas pela Wada (Agência Mundial Antidoping).

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Suspensa preventivamente pela ITF (Federação Internacional de Tênis), a russa ainda aguardava uma decisão final do seu caso. Talvez uma pena mais branda, que lhe permitisse atuar nos Jogos do Rio.

Em formato online, a rápida coletiva de Maria Sharapova surpreendeu pela sinceridade e pela gravidade dos fatos: admitiu que utilizava o Meldonium há mais de dez anos por indicação médica e que era a única culpada em todo o caso.

Eu cometi um grande erro. Decepcionei meus fãs. Rebaixei meu esporte. Não quero terminar minha carreira assim. Espero poder ter uma nova chance

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Participação russa

Mas em menos de 24 horas, o que aparentemente era um erro pessoal de Maria Sharapova transformou-se em algo muito maior. Com direta responsabilidade das autoridades do esporte da Rússia.

Outros novos três casos foram revelados entre os dias 7 e 8, envolvendo atletas russos de renome em esportes de inverno:

  • Semen Elistranov, campeão olímpico de revezamento de 5.000 m de patinação em pista curta;
  • Pavel Kulizhnikov, campeão mundial de patinação de velocidade;
  • Ekatetina Bobrova, campeã olímpica de patinação artística.

Vale lembrar que a World Athetic já havia banido o atletismo da Rússia das Olimpíadas do Rio. O motivo foi a reanálise de exames antigos, onde eram constatados casos positivos.

Meses depois uma investigação paralela da Wada constatou que havia um esquema de acobertamento de casos de doping, com conhecimento do governo da Rússia. Foi a primeira fase do banimento russo do esporte mundial, que foi intensificado após o início da Guerra da Ucrânia, em 2022.

E pensar que tudo começou com uma entrevista de mea culpa de Maria Sharapova, há exatamente dez anos.

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