Adhemar Ferreira da Silva salta para assegurar sua segunda medalha de ouro olímpica (Crédito: Reprodução)
* Atualizado em 27/11/2025
Não é exagero dizer que a história do esporte olímpico do Brasil divide-se entre antes e depois de Adhemar Ferreira da Silva. Embora o primeiro ouro em Olimpíadas veio através de Guilherme Paraense, do tiro esportivo, em Antuérpia-1920, foi com Adhemar que o Brasil mudou de patamar. Durante boa parte dos anos 1950, ele dominou o salto triplo, que incluíram duas medalhas de ouro olímpicas, três em Jogos Pan-Americanos e dois recordes mundiais.
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Um destes momentos mágicos aconteceu há exatos 69 anos, nos Jogos de Melbourne-1956. No dia 27 de novembro, Adhemar conquistou o bicampeonato olímpico. Foi a única medalha do Brasil naquela Olimpíada.

Adhemar já era então o maior atleta brasileiro em sua época. Campeão olímpico em Helsinque-1952, o brasileiro chegou ainda mais favorito em razão de seu desempenho na temporada anterior. No Pan-Americano da Cidade do México-1955, Adhemar assombrou o mundo ao levar a medalha de ouro com a marca de 16,56 m, novo recorde mundial da prova. Superou sua própria marca, alcançada nos Jogos na Finlândia, quando levou o ouro saltando 16,22 m.
Tensão antes da prova
Mas um inesperado problema quase impediu o bi do brasileiro.
Logo depois de ter chegado à Melbourne, Adhemar praticamente não saiu do seu apartamento na Vila Olímpica. O motivo era uma inesperada dor de dente. Rosto inchado, o brasileiro teve que procurar um dentista às vésperas da qualificação. Após o tratamento de emergência, Adhemar Ferreira da Silva estava pronto para brigar por mais um ouro.
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O resultado da qualificação não foi animador. O brasileiro avançou com apenas a 11ª melhor marca, 15,15 m. Muito longe do japonês Teruji Kogake, que ficou em primeiro, com 15,63 m.
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Só que no dia da final, o “Canguru brasileiro”, como Adhemar fora apelidado pela imprensa australiana, contou com apoio da torcida local. Teve uma disputa acirrada com um islandês de nome esquisito mas que estava saltando muito bem naquele dia, Vihjálmur Einarsson.
Adhemar, porém, não se abalou. Com um salto de 16,35 m, não apenas quebrou o seu próprio recorde olímpico como assegurou sua segunda medalha de ouro olímpica, cravando de vez seu nome como uma das lendas do esporte brasileiro.

