A russa Elena Kotulskaya é o principal nome da última lista de punições na investogação de doping organizado pela Rússia (Reprodução)
- A AIU concluiu as investigações digitais do Laboratório de Moscou, encerrando casos antigos.
- A decisão reafirma a extensão da fraude institucionalizada, que manipulou resultados e abalou a confiança no esporte olímpico global.
- O encerramento do processo simboliza uma vitória das agências antidoping na apuração de um esquema que durou mais de uma década.
Aquele que foi considerado o maior escândalo de doping do esporte mundial terminou, de forma simbólica, na última sexta-feira (7). A Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) anunciou o último lote de punições de atletas da Rússia, totalizando 12 suspensões de atletas por uso de substâncias proibidas.
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“As evidências dos Relatórios McLaren e do Sistema de Gestão de Informação do Laboratório de Moscou (LIMS) expuseram o escândalo de doping patrocinado pelo Estado russo. Essas evidências foram utilizadas pela Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) nos últimos 10 anos para processar casos decorrentes desse esquema”, disse a AIU em seu perfil no X.
Denúncias de Rodchenkov
A investigação começou nas denúncias de Grigory Rodchenkov, ex-diretor do Laboratório Antidoping de Moscou, e nas conclusões devastadoras do Relatório McLaren de 2016. As investigações expuseram um esquema de fraude sem precedentes, onde o estado russo orquestrava a troca de amostras de urina limpas por sujas, no famoso episódio dos “buracos de parede” nos Jogos de Inverno de Sochi-2014.
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Foram mais de mil resultados manipulados para esconder o uso de substâncias proibidas. O relatório implicou ministérios, treinadores e laboratórios da rede estatal russa. Como consequência, a Rússia foi banida de competições internacionais de atletismo e ficou com sua reputação esportiva jogada no lixo.
Punidos e aposentados
O último lote de 12 punições divulgado pela AIU reuniu atletas aposentados do esporte já há algum tempo ou de nomes pouco conhecidos. A maioria dos casos desta leva se refere a manipulações de dados e amostras ocorridas entre 2011 e 2013. As punições anulam retroativamente os resultados obtidos pelos atletas durante esses períodos, reescrevendo o livro de recordes e medalhas daquela época. O nome de maior destaque é o da meio-fundista Elena Kotulskaya, medalhista de prata nos 800 m no Campeonato Europeu Indoor de 2013. Kotulskaya foi banida por quatro anos por ocultar três resultados positivos naquele ano.
A lista ainda tem nomes como Marina Novikova Pandakova, marchadora; Marat Ablyazov, velocista dos 100m e 200m; Pavel Ivashko, especialista em 400m e medalhista de prata no Campeonato Europeu Sub-23 de 2015; Valeriya Fyodorova, finalista mundial sub-20 do salto triplo; e Tatyana Dektyareva Dementyeva, tricampeã nacional dos 100 m com barreiras.
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O encerramento da investigação da fraude da Rússia no atletismo encerra um triste capítulo na história do esporte. Não significa, porém, uma vitória definitiva no combate ao doping e aos trapaceiros que insistem em burlar as regras em busca da glória e do sucesso fácil.


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