Dia da Marmota, do filme "Feitiço do Tempo", chega ao boxe olímpico

Cartaz do filme “Feitiço do Tempo”, que explica o atual momento do boxe olímpico (reprodução)

  • Nova crise: A World Boxing, criada para salvar o boxe olímpico, enfrenta nova crise a poucos dias de sua primeira eleição para presidente.
  • Candidato em xeque: Um dos dois candidatos à presidência é o grego Mariolis Charialos, afastado da federação local após condenação definitiva por falsificação de documentos.
  • Ídolo em vantagem: O ex-campeão mundial e medalhista olímpico Gennady Golovkin (“GGG”) ganha força na disputa, prometendo restaurar a integridade da modalidade e o reconhecimento definitivo do COI.


No começo da década de 90, o filme “Feitiço do Tempo”, uma comédia romântica estrelada por Bill Murray e Andie MacDowell, lotou as salas de cinema em todo o mundo, graças a um roteiro inusitado e cativante. Na história, Murray vive um repórter-meteorologista, arrogante e insuportável, que foi escalado para acompanhar a cerimônia do “Dia da Marmota”, que ocorre em uma pequena cidade na Pensilvânia (EUA) e festejada sempre em 2 de fevereiro.

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Para quem ainda não viu (se não viu, veja!), Phil (personagem de Murray) está absolutamente inconformado com a missão de cobrir o aparecimento ou não da tal marmota. Segundo a tradição, o simpático roedor tem o poder de prever a duração do inverno. Phil odeia tudo aquilo, ridiculariza as pessoas da cidade e maltrata sua equipe, que tem Andie MacDowell como produtora.

A grande sacada do filme é que o repórter cai em uma espécie de armadilha temporal, que o faz reviver aquele dia centenas de vezes. Alerta de spoiler: ele revive o dia tantas vezes que se torna um cara legal.

Veja o trailer de “Feitiço do Tempo:

Mas o que uma comédia romântica do cinema tem a ver com o boxe? Mais do que você imagina. Após quase dez anos vivendo uma guerra sem fim com o COI (Comitê Olímpico Internacional) e ser ameaçada de exclusão do programa olímpico, a modalidade parecia ter encontrado a solução dos seus problemas no final de fevereiro deste ano. Tudo graças ao reconhecimento provisório da World Boxing, que assumiria a responsabilidade de fazer a gestão do boxe olímpico.

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A nova entidade substitui a IBA (Associação Internacional de Boxe), que antigamente se chamava Aiba e tinha em seu currículo inúmeros casos de denúncias de corrupção e comprovações de manipulações de resultados de lutas nos Jogos de Londres-2012 e Rio-2016. A chegada da World Boxing era o reforço que faltava para o boxe não ser excluído das Olimpíadas.

 A “marmota” ataca: polêmica na eleição

O problema é que o boxe olímpico não tem um dia de paz. Está programado para o próximo dia 23 o congresso mundial da World Boxing, na cidade de Roma. Na agenda do evento, está prevista a realização da primeira eleição para presidente da entidade. Até agora ela é comandada pelo holandês Boris van der Vost, que em setembro anunciou que não concorreria à reeleição, alegando razões pessoais.

Porém, dos dois candidatos que registraram candidatura, um deles já chega sob suspeita. O grego Mariolis Charialos, que comandava o boxe grego desde 2021, foi afastado do comando da federação local após uma condenação criminal definitiva. A notícia, divulgada pelo site Sportsin, relata que o afastamento atendeu a legislação esportiva grega, que impede qualquer pessoa com condenação criminal definitiva de ocupar um cargo em uma federação esportiva.

O grego Mariolis Charialos, condenado por falsificação de documentos, é um do candidatos na eleição da World Boxing (Reprodução)
O grego Mariolis Charialos, condenado por falsificação de documentos, é um do candidatos na eleição da World Boxing (Reprodução)

O crime cometido por Charialos foi o de falsificação de documentos. A Associação Helênica de Treinadores de Boxe advertiu que a participação dele em processos eleitorais internacionais poderá acarretar complicações legais e disciplinares.

Incoerência

Toda essa situação faz com que o boxe olímpico relembre um clima de crise que parecia ter terminado e que remete ao “Dia da Marmota” do início deste texto. Afinal, como uma federação internacional criada com a promessa de austeridade e boa governança pode ter como candidato uma pessoa condenada por crime de falsificação?

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Até o momento, Mariolis Charialos ainda não retirou sua candidatura. Em carta aberta, o grego prometia levar a entidade a uma nova era. “Minha candidatura tem como objetivo de consolidar as conquistar da World Boxing e expandi-las ainda mais, conduzindo a organização a uma nova era de unidade, integridade e progresso”, escreveu Charialos. Ele lembrou ainda que no comando da Federação Helênica de boxe, implementou reformas de governança com foco na transparência.

Ídolo na disputa

Com tudo isso, quem acaba levando vantagem é o outro candidato na disputa, Gennadly Golovkin, do Cazaquistão, e um dos maiores nomes do boxe profissional. O “GGG”, como é chamado, foi campeão mundial dos pesos médios, acumulando os cinturões da AMB (Associação Mundial de Boxe), CMB (Conselho Mundial de Boxe), OIB (Organização Mundial de Boxe) e IBF (Federação Internacional de Boxe). Dono de um cartel impressionante, acumulou 345 vitórias em 350 lutas disputadas.

Gennadly Golovkin, o GGG, presidente do comitê olímpico do Cazaquistão, será candidato à presidência da World Boxing
Gennadly Golovkin, o GGG, presidente do comitê olímpico do Cazaquistão, será candidato à presidência da World Boxing (Reprodução)

Medalhista de prata nos Jogos de Atenas-2004, Golovkin é também o atual presidente do comitê olímpico do Cazaquistão, tendo marcado presença com a delegação do país nos Jogos de Paris-2024. “Nossa missão para 2026 é clara: alcançar o reconhecimento total do COI e garantir nossa vaga nos Jogos de Los Angeles-2028 e Brisbane-2032. No entanto, além do reconhecimento, existe um propósito maior: reconstruir nossa reputação como uma família unida do boxe, guiada pelo respeito, transparência e união”, escreveu o cazaque, em carta aos membros da World Boxing.

A conferir se o “dia da marmota” do boxe olímpico terá o mesmo final feliz da história nas telas do cinema.

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