Oksana Chusovitina em ação pela Copa do Mundo de Cottbus, quando ficou com a medalha de bronze (Divulgação/FIG)
A idade não passa de um mero registro do tempo para Oksana Chusovitina. Aos 49 anos (completa 50 em junho), a uzbeque da ginástica artística feminina desafia todos os limites no esporte. Espanta ver que mesmo assim ela segue competindo em alto nível. No último dia 8 de março, ela venceu a prova do salto válida pela Copa do Mundo da modalidade. A competição foi realizada em Baku (Azerbaijão). Foi a 17ª medalha conquistada por Chusovitina na história da competição.
Mais do que ter aumentado a coleção de medalhas, o resultado dá para a atleta do Uzbequistão a motivação necessária para um feito ainda maior. Ela sonha com sua nona participação em Jogos Olímpicos.
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“Meu objetivo número um é chegar a Los Angeles-2028. Mas ainda falta muito para isso, então não quero pensar muito à frente. Vou passo a passo, de uma competição para a outra, porque há outras atividades além da ginástica. Porém irei tentar e dar tudo o que eu tenho”, disse Chusovitina, ao site Olympics.com.
Duas semanas antes, Oksana Chusovitina já havia mostrado que estava em forma, ao ficar com o bronze no salto da Copa do Mundo de Cottbus (ALE). Foi a sua primeira competição após sofrer uma lesão no Campeonato Asiático de 2024. Era a última chance de se classificar para os Jogos Paris-2024.
Lenda da ginástica artística
Na realidade, independentemente de estar em Los Angeles-2028 ou não, Chusovitina já tem seu lugar na história das Olimpíadas. Ela é a recordista em participações olímpicas na ginástica artística. Ela esteve de forma consecutiva em oito edições, entre Barcelona-1992 e Tóquio-2020. Um detalhe: competiu representando três países.
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A estreia olímpica já lhe rendeu uma medalha olímpica, o ouro por equipe, foi pela CEI (Comunidade dos Estados Independentes). A delegação reunia atletas representando 12 ex-repúblicas da União Soviética, que havia sido dissolvida um ano antes dos Jogos.
A partir de Atlanta-1996, Oksana Chusovitina passou a defender seu país de origem, o Uzbequistão, assim como em Sydney-2000 e Atenas-2004. Um drama pessoal teve papel fundamental para que a ginasta tivesse uma terceira nação em seu passaporte olímpico.

Chusovitina ganhou uma de suas duas medalhas olímpicas defendendo a Alemanha, nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008 (Crédito: Reprodução)
No ano de 2002, o filho de Chusovitina foi diagnosticado com leucemia. Foi quando a Alemanha convidou a ginasta para competir pelo país, em troca de bancar o tratamento do pequeno Alisher. Sob a bandeira alemã, Chusovitina esteve em Pequim-2008, quando levou a prata no salto, e Londres-2012. A partir da cura de Alisher, em 2013, ela retomou a cidadania uzbeque. Na Rio-2016, chegou à final do salto e terminou em 7º lugar. Em Tóquio-2020, ela não passou pela qualificação.
Caso realmente conquiste uma vaga para os Jogos de Los Angeles-2028, Oksana Chusovitina terá 53 anos. Um feito impressionante, para o qual ela admite que a luta contra o etarismo é uma das grandes motivações. “Quero muito me classificar para as Olimpíadas. Especialmente nesta idade, quero superar essa conversa de que ginástica é só para jovens. Quero mostrar que se uma ginasta quer treinar, se ela gosta, por que deveria se aposentar se tem 30 anos? Isto não está certo.”


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